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Museu digitaliza 5 mil imagens do Foto Estrela

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Acervo de fotos com 5.350 imagens da cidade de Londrina, desde os anos 50, foi digitalizado pelas equipes do Museu Histórico de Londrina e do Projeto “Preservação de coleções fotográficas como patrimônio histórico e cultural de Londrina”. As imagens eram do conhecido Foto Estrela – inaugurado em 1938 – que pertenceu ao imigrante japonês Yutaka Yasunaka, a partir de 1952. Também já foram digitalizadas outras 16.013 fotos e negativos, incluindo o acervo da época em que os proprietários eram Armínio Kaiser e João Carvalheira.

O imigrante japonês seguiu com o registro do crescimento de Londrina. O estúdio foi mantido em funcionamento até 2008, quando a procura não era mais suficiente para manter o negócio ativo. Yasunaka morreu em 7 de janeiro de 2015, meses depois de assinar o termo de doação, destinando parte do acervo ao Museu Histórico de Londrina. Já a outra parte do acervo de fotos eram guardadas pela família, quando também foram repassadas à direção do Museu. As imagens mais recentes são de 1998.

O fotógrafo Yutaka Yasunaka foi pioneiro no registro fotográfico da vista aérea de Londrina. O filho do fotógrafo, Jorge Shoji Yasunaka, que realizou a doação de parte do Acervo Foto Estrela ao Museu Histórico, fala sobre a trajetória do pai. “Eu acho muito importante porque meu pai viu esse início em que Londrina estava crescendo e não tinha fotos aéreas, antigamente existia cartão postal, mas exclusivamente de Londrina não tinha”. Segundo ele, as imagens aéreas serviam para atrair visitantes para a região, visando inclusive o estabelecimento de novas gerações para formação da cidade.

Todo o acervo já está disponível para consulta e pesquisa na plataforma Pergamum pesquisar Foto Estrela. A conclusão do serviço de digitalização do acervo faz parte de uma iniciativa maior, já que Pergamum é parte de um Sistema Integrado de Bibliotecas, que passou a acolher arquivos de Museus. Por meio da plataforma é possível acessar arquivos digitalmente, facilitando o acesso a informações.

Café – Em meio ao movimento cafeeiro, especialmente das décadas de 50, 60, e início dos anos 70, Londrina é retratada como cidade que desponta como capital do café. Por outro lado, as fotos revelam muito mais do que o surgimento de prédios, igrejas, casas e ruas, pois são registros de modos de vida da época.

É o caso da Concha Acústica (foto), hoje importante espaço de manifestações cultural e política. Na praça 1º de Maio, ela desponta junto com a torre da Igreja Presbiteriana (Rua Mato Gross) e edificações térreas. Também chama atenção o letreiro da Farmácia Central. Outro exemplo é o registro traz a Avenida Rio de Janeiro, com uma fileira de carros estacionados em diagonal. Na imagem, é possível identificar a Agência do Banco do Estado do Paraná, além da sede do periódico Paraná Jornal.

Projeto – A inclusão das imagens na plataforma foi viabilizada por meio do projeto de extensão, coordenado pela professora Regina Célia Alegro, do Departamento de História, do Centro de Letras e Ciências Humanas (CCH), que foi apresentado ao Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC) pela Associação dos Amigos do Museu (ASAM).

O projeto dá um passo à frente no sentido de preservar essa história, numa época em que a cidade despontava como centro cafeeiro no país. A professora Regina explica que o PROMIC viabilizou recursos no valor de R$ 70.000,00, que foram usados para o pagamento de bolsistas, digitalização e revelação de negativos, e materiais usados no acondicionamento de fotografias. Segundo ela, participaram do projeto 11 estudantes bolsistas e 11 voluntários dos cursos de História e Ciências Sociais.

A aluna do curso de História, do CCH, Adja Nadine, integrante do projeto, responsável por incluir as imagens no Pergamum, explica que a disponibilização virtual do material só traz benefícios, como a agilidade na hora da pesquisa. “Quando a pessoa precisa ter acesso ao acervo físico, antes é possível fazer pré-pesquisa das fotos para saber o que está procurando e onde vai achar”, diz a aluna. Desse modo, o Pergamum serve para agilizar os processos de pesquisa. Por outro lado, outra vantagem da digitalização é proporcionar aos pesquisadores e público em geral o acesso livre e ilimitado às imagens que contam da história de um importante período para a região.

Imagem aérea mostra a Catedral Metropolitana Sagrado Coração de Jesus, localizada entre as Avenidas Rio de Janeiro e São Paulo. No canto direito, Praça Marechal Floriano Peixoto (ao centro) (FOTO: Acervo Foto Estrela/1950)

Foto Estrela – O acervo de imagens do Foto Estrela também é composto por imagens de autoria do alemão Carlos Stenders, primeiro proprietário do Foto Estrela, inaugurado em 1938. Na época em que residiu em Londrina, Stenders foi responsável por registrar o surgimento da cidade, sendo pioneiro na fotografia profissional de Londrina. As fotos de Stenders, preservadas pelo Museu Histórico de Londrina, foram doadas em 1970. Outras foram mantidas no antigo Estúdio do Foto Estrela e, posteriormente, também foram repassadas, junto com fotos do fotógrafo Yutaka Yasunaka.

Carros estacionados na Rua Rio de Janeiro, esquina Rua Sergipe. Ao fundo, agência do Banco do Estado do Paraná, à direita, sede do periódico Paraná Jornal(FOTO: Acervo Foto Estrela)

Além das fotografias, o acervo Foto Estrela conta com 166 documentos e 86 objetos tridimensionais, todos relacionados a produção fotográfica e atividade comercial do estúdio. O arquivista do Museu, Amauri Ramos da Silva, que atua no setor de acervo tridimensional, destaca a importância da preservação do patrimônio, que conta parte da história de Londrina. “É importante por essa evolução tecnológica e as adaptações construídas por essas pessoas que registraram a história de Londrina, o cotidiano da nossa região e da nossa cidade também”, diz.

Livro – A biografia dos fotógrafos e imagens importantes de Londrina nas décadas de 1950, 1960 e 1970 foram registradas no livro “Revelações da História: o Acervo do Foto Estrela Projeto”, organizado por Daniel Choma, Edson Vieira e Tati Costa, publicado pela Câmara Clara em 2012.

(Com informações do Museu Histórico de Londrina/Victória da Cruz – Estagiária do curso de Jornalismo).

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