Além das promessas: sete dicas para fazer as metas de 2026 durarem o ano todo

Psicóloga explica por que começamos o ano motivados, o que atrapalha a continuidade dos planos e quais estratégias ajudam a manter o foco

A chegada de um novo ano costuma despertar nas pessoas a vontade de traçar planos, fazer promessas e estabelecer metas. Seja para mudar hábitos, iniciar projetos ou simplesmente “ser melhor”, o mês de janeiro é visto como um marco simbólico de recomeço. Mas afinal, por que sentimos essa necessidade e até que ponto planejar é realmente saudável?

De acordo com a psicóloga e professora do curso de Medicina do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), Elena Maria Rosa Senetra, esse impulso tem explicações emocionais e neurocientíficas. “O início de um novo ano cria a sensação de separação entre ‘quem fui’ e ‘quem posso ser’. A neurociência chama isso de fresh start effect, um ponto de virada que eleva nossa motivação e gera abertura para mudanças”, explica.

Esse cenário estimula a reflexão, favorece a revisão de hábitos e reforça a percepção de oportunidade; fatores que tornam o período ideal para estabelecer objetivos. Mas, se essa prática é benéfica ou apenas uma fonte de frustração futura, vai depender de como cada indivíduo irá lidar com esses planos.

Pensar sobre novos caminhos no começo de um ciclo, segundo a psicóloga, pode trazer ganhos significativos para a saúde mental. A definição de objetivos aumenta o senso de direção e propósito, melhora a organização dos pensamentos e regula as emoções.

“Quando metas estão alinhadas aos valores pessoais, fortalecem a autorregulação e oferecem mais previsibilidade ao cérebro. Pequenos avanços liberam dopamina, um neurotransmissor que atua no sistema nervoso central e está associado à sensação de prazer, e que reforça comportamentos saudáveis”, destaca.

Esse alinhamento interno é o que diferencia as metas funcionais de idealizações. Uma meta sustentável é concreta, específica e possível dentro da rotina real da pessoa. A psicologia costuma utilizar o modelo SMART; que inclui critérios como específico, mensurável, alcançável, relevante e temporal. Já as metas vagas, baseadas em comparação com outras pessoas ou em expectativas irreais, tendem a gerar frustração e desistência precoce.

Onde a maioria tropeça

Se por um lado o Ano Novo inspira mudanças, ele também costuma acompanhar armadilhas emocionais. Entre elas estão:

• expectativas irreais, com transformações drásticas em pouco tempo;
• metas vagas, como “ser mais feliz” ou “não ter ansiedade”;
• planos baseados no impulso e não em valores;
• desconsiderar a rotina, criando objetivos que não cabem na vida prática;
• pensamento “tudo ou nada”, quando qualquer deslize vira sinônimo de fracasso;
• rigidez e autocobrança excessivas.

Para Elena, a flexibilidade é essencial. “As metas precisam considerar que a vida muda. Novos cenários, imprevistos e desafios podem surgir ao longo do ano. Abrir espaço para ajustes evita frustração e favorece a continuidade”.

Por que as metas não se sustentam?

Segundo a especialista, o cérebro naturalmente resiste às mudanças bruscas e prefere padrões já conhecidos, que exigem menos esforços. Por isso, quando uma meta demanda muita dedicação ou alterações radicais, a tendência é que a motivação inicial desapareça rapidamente. “As emoções desconfortáveis fazem parte do processo de mudança. Sem estratégias de manejo, a pessoa abandona seus planos”, explica a psicóloga.

Entre as estratégias que ajudam a tornar os objetivos mais sustentáveis, Elena destaca 7 fatores:

  1. metas pequenas e progressivas, que criam sensação de conquista;
  2. planejamento de obstáculos, prevendo dificuldades e alternativas;
  3. autocompaixão para lidar com recaídas;
  4. atenção plena, que ajuda a perceber padrões automáticos;
  5. reconexão com valores para manter clareza sobre o propósito;
  6. diário de hábitos para monitorar e avaliar o progresso;
  7. ambiente organizado, que facilita a adoção de novos comportamentos.

Começar o ano com propósito e sem pressão

Para quem deseja um início de ciclo mais leve, a psicóloga sugere reservar um momento tranquilo, escrever metas e observar o que realmente faz sentido. “Comece olhando para dentro, não para fora. Foque em valores, não em comparação ou perfeccionismo. Propósito não nasce de grandes transformações, mas de pequenas ações repetidas com intenção”, orienta.

Planejar, portanto, não é apenas simbólico. “Pode ser uma ferramenta de autoconhecimento, cuidado emocional e construção de uma vida mais coerente com aquilo que se deseja. E quando feito com gentileza e realismo, tem maior chance de durar e atravessar o ano inteiro e não apenas ter o entusiasmo dos primeiros dias de janeiro”, complementa a psicóloga e professora do curso de Medicina do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), Elena Maria Rosa Senetra.

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