Motoristas autônomos encontram segurança e previsibilidade no trabalho


A expansão do trabalho por plataformas digitais no Brasil abre espaço para modelos de transporte corporativo que oferecem rotinas mais organizadas aos motoristas

Janeiro costuma ser um mês de ajustes e reavaliações profissionais. Vagas temporárias se encerram, contratos não são renovados e muitas pessoas passam a buscar alternativas para reorganizar a renda. Em meio a esse cenário, o trabalho autônomo mediado por plataformas digitais segue como uma das portas de entrada mais acessíveis para quem está em transição profissional ou busca flexibilizar sua jornada.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas que trabalham por meio de plataformas digitais cresceu 25,4% entre 2022 e 2024, passando de cerca de 1,3 milhão para 1,7 milhão de trabalhadores no país. Este total inclui ocupações em transporte de passageiros, entregas e serviços gerais.

Por trás dessa estatística estão histórias de quem passou a dirigir como forma de sustentar a família, reorganizar a rotina ou atravessar períodos de transição. É o caso da imigrante palestina Thaereh Sadeh, moradora de Apucarana, no norte do Paraná, que encontrou no trabalho como motorista uma alternativa depois de fechar a loja de autopeças que manteve por anos.

Thaereh vive no Brasil há mais de três décadas. Empreendedora, passou a maior parte da vida profissional atrás do balcão do próprio negócio. A pandemia, no entanto, comprometeu a viabilidade da empresa. Sem planos de abrir outra loja e ainda distante da aposentadoria, ela precisou buscar uma nova ocupação. A decisão foi seguir para o volante, mas dentro de um modelo que oferecesse mais organização e segurança.

Desde 2022, ela atua como motorista autônoma vinculada à Autonomoz, empresa brasileira especializada em mobilidade corporativa. Diferentemente dos aplicativos urbanos de corrida sob demanda, a plataforma conecta motoristas autônomos a empresas que precisam transportar colaboradores em rotas programadas, muitas vezes fora dos centros urbanos.

Um modelo diferente de trabalho ao volante

“Nosso modelo não é o da corrida aleatória. O motorista dirige para empresas, com viagens recorrentes, passageiros identificados e rotas conhecidas”, explica Leandro Farias, fundador da Autonomoz, que complementa: “Isso muda completamente a experiência de trabalho, pois o profissional sabe quanto vai rodar, para onde vai e quanto vai receber.”

Na prática, a rotina de Thaereh inclui deslocamentos intermunicipais entre Apucarana, Londrina, Maringá, Arapongas e cidades menores da região, além de trajetos em áreas rurais. A jornada diária tem limite definido, e a motorista escolhe quando trabalhar ou folgar, inclusive em fins de semana e feriados. Atualmente, essa é sua única fonte de renda.

Previsibilidade e segurança pesam na escolha

A previsibilidade foi um dos fatores decisivos para a para a decisão de Thaereh de permanecer nesse modelo de trabalho. “Quando eu tinha loja, não conseguia sair nem para resolver coisas básicas, mas agora consigo organizar meus horários e minha vida”, relata a motorista. Segundo ela, o pagamento regular e a recorrência das viagens trouxeram mais estabilidade do que o comércio oferecia nos últimos anos.

Para Farias, esse ponto ajuda a explicar por que o transporte corporativo tem atraído motoristas que já atuaram em outros segmentos ou que estão entrando agora no trabalho ao volante. “Existe uma diferença grande entre trabalhar com picos de demanda imprevisíveis e atuar em um serviço contínuo. A previsibilidade permite planejamento financeiro e reduz a sensação de incerteza”, afirma.

Outro aspecto citado por Thaereh é a sensação de segurança. Transportar colaboradores de empresas, com embarques programados e suporte permanente, pesa na escolha, especialmente para motoristas mulheres e para quem atua em regiões afastadas. “São pessoas que já têm vínculo com a empresa. Isso traz mais tranquilidade”, diz.

Embora o IBGE trate o crescimento do trabalho por plataformas de forma ampla, especialistas apontam que o debate sobre esse tipo de ocupação passa, cada vez mais, pela qualidade do modelo adotado. Nem todo trabalho ao volante oferece as mesmas condições, e a tendência é que soluções mais organizadas ganhem espaço à medida que o setor amadurece.

Um caminho possível para 2026

Para 2026, a expectativa da Autonomoz é ampliar a atuação em regiões onde empresas dependem de transporte regular para manter operações ativas. “Há uma demanda crescente por mobilidade estruturada fora dos grandes centros. Isso abre espaço tanto para empresas quanto para motoristas que buscam condições mais estáveis e previsíveis de trabalho”, afirma Farias.

Thaereh, por sua vez, não planeja mudar de rota. O que começou como alternativa após o fechamento da loja se transformou em um projeto de longo prazo. “Enquanto eu puder trabalhar, quero continuar”, diz. Em um mercado em transformação, a história dela ajuda a entender por que, para muitos brasileiros, o volante segue como caminho possível de trabalho e renda no início de um novo ano.

Sobre a Autonomoz – A Autonomoz é uma empresa brasileira de mobilidade corporativa que conecta motoristas autônomos a empresas que precisam de transporte programado de colaboradores em áreas urbanas e intermunicipais. O modelo prioriza viagens recorrentes, trajetos conhecidos e passageiros identificados, em contraste com a lógica de corridas por demanda. Atualmente, a empresa opera em mais de 175 cidades e concentra uma comunidade de trabalho composta por mais de 1.000 motoristas parceiros. A estrutura interna conta com cerca de 120 colaboradores, responsáveis por suporte operacional, tecnologia e atendimento aos motoristas e clientes. O cadastro e a ativação de motoristas são realizados por meio dos canais oficiais da Autonomoz com etapas de validação e orientação para garantir a conformidade com os requisitos de segurança e qualidade.
Mais informações estão disponíveis em https://site.autonomoz.com.br/