Transporte corporativo fora das cidades passa por mudança de modelo

O funcionamento de parte relevante da economia brasileira depende de pessoas que começam o dia longe de onde o mapa urbano termina. Maquinistas que entram no turno antes do amanhecer, técnicos de energia que percorrem áreas remotas, bem como equipes do setor industrial e do agronegócio que se revezam em unidades espalhadas pelo interior do país. Nesses setores, nos quais a produção acontece fora dos centros urbanos, o transporte de pessoas é uma etapa essencial da operação. E, durante anos, esse desafio foi resolvido com frotas próprias, alugadas ou contratos de fretamento contínuo, que mantêm veículos e motoristas disponíveis em tempo integral para garantir previsibilidade.

Nos últimos anos, porém, parte das empresas que atuam em setores como ferrovia, energia, mineração, agronegócio, construção civil e concessões de rodovias passou a revisar esse modelo. A busca é por alternativas mais flexíveis, capazes de ajustar o custo do transporte à dinâmica real da operação.

É nesse movimento que a Autonomoz (empresa brasileira de mobilidade corporativa fundada há oito anos) vem ampliando sua atuação. A companhia organiza o transporte de funcionários por meio de uma plataforma digital e de uma rede de motoristas autônomos cadastrados, sem operar frota própria.

Diferentemente do fretamento tradicional, o transporte é acionado conforme a necessidade da operação, inclusive de forma imediata. Rotas, horários e passageiros são definidos no momento da solicitação, e o deslocamento é acompanhado em tempo real pela plataforma. Com isso, o transporte deixa de ser uma estrutura permanente e passa a funcionar como um recurso disponível sob demanda, adaptado à rotina de cada empresa.

“A plataforma organiza uma rede de motoristas autônomos para atender deslocamentos corporativos conforme a necessidade de cada operação, em qualquer lugar onde a empresa atue”, afirma Leandro Farias, fundador e CEO da Autonomoz. “Pode ser um ponto isolado da ferrovia, uma fazenda ou um canteiro de obras. A lógica é levar mobilidade até onde o trabalho está, sem exigir estruturas fixas ou contratos rígidos”, complementa Leandro.

Da frota permanente ao uso real

A Autonomoz informa que esse formato já está sendo adotado em operações de grande porte que atuam distantes dos centros urbanos, com impacto direto na estrutura de custos do transporte corporativo. Em um caso real do setor ferroviário, a empresa relata que uma operação mantinha uma frota fixa de 51 veículos dedicados exclusivamente ao transporte de maquinistas, com motoristas disponíveis em tempo integral para garantir a troca de turnos ao longo da malha.

Segundo a empresa, a estrutura assegurava disponibilidade permanente, mas apresentava baixa taxa de utilização diária e custos elevados associados à ociosidade dos veículos, à manutenção da frota e à remuneração contínua dos motoristas. Com a adoção do novo modelo, a frota fixa foi gradualmente reduzida para nove veículos, sem impacto na continuidade da operação.

Ainda de acordo com a Autonomoz, na mesma unidade analisada, a substituição de apenas um veículo fixo — que operava com motorista disponível em regime de 24 horas — por viagens acionadas conforme a necessidade resultou em uma redução superior a 50% nos custos operacionais daquele ponto específico. A economia anual superou R$ 300 mil, considerando apenas essa unidade.

“O ganho está relacionado principalmente à eliminação de ativos mantidos permanentemente para atender demandas intermitentes”, afirma Farias. Segundo ele, esse tipo de custo costuma passar despercebido porque está diluído na operação. “Quando o transporte é contratado como estrutura fixa, o gasto permanece mesmo quando a demanda cai. Mas, quando ele passa a acompanhar o uso real, a conta muda.”

Tecnologia, governança e previsibilidade na ponta da operação

Além da redução de custos, o modelo adotado pela Autonomoz busca responder a um desafio recorrente do transporte corporativo fora dos centros urbanos: como manter gestão e previsibilidade em operações dispersas, com múltiplos pontos de embarque e horários variáveis. A gestão centralizada das viagens permite às empresas acompanhar rotas, horários e volumes de deslocamento, mesmo em regiões sem infraestrutura urbana.

Para os motoristas autônomos, a lógica também difere do transporte urbano tradicional. Existem viagens previamente programadas, os passageiros são identificados e há regras que garantem a segurança, tanto do passageiro quanto do motorista. “O motorista sabe para onde vai e quem vai transportar. Isso muda completamente a rotina de quem trabalha com aplicativo e reduz a exposição a riscos”, afirma Farias.

A Autonomoz oferece também a modalidade PRO, que conta com sistemas de telemetria e videotelemetria embarcada, tecnologias essas que permitem o monitoramento das viagens por um centro de segurança operacional. Segundo a empresa, os dados são usados para atuar de forma preventiva, reforçar protocolos de segurança e dar suporte tanto às companhias contratantes quanto aos motoristas durante os deslocamentos.

Com oito anos de atuação, a Autonomoz tem presença em cerca de 175 cidades e mais de 25 milhões de quilômetros percorridos por ano, o equivalente a aproximadamente 624 voltas ao redor da Terra.

Faturamento 2025: R$ 15 milhões
Crescimento de 18% em relação a 2024.
Atua em 175 cidades e 14 estados
Quase mil motoristas parceiros ativos
Superou 220 mil viagens no ano em 2025.
Indicadores de segurança atingem padrões internacionais – registrou apenas dois sinistros leves, em quase 20 milhões de kms rodados em 2025, equivalente a menos de uma corrida com problemas a cada 10 mil viagens.