Evento gratuito no Sesc Cadeião propõe uma análise sobre os silêncios, omissões e normalizações que antecedem o crime
Néias – Observatório de Feminicídios de Londrina celebra cinco anos de atuação com a realização da roda de conversa “Feminicídio: o que eu tenho a ver com isso?”, cujo objetivo é debater a responsabilidade coletiva em relação ao enfrentamento da violência feminicida. O encontro será no dia 5 de maio, às 19h, no Sesc Cadeião (Rua Sergipe, 52). A entrada é gratuita.
A mesa contará com a participação de Susana de Lacerda, Promotora de Justiça do Ministério Público do Paraná em Londrina, com atuação por uma década na Promotoria de Enfrentamento à Violência Doméstica; Lua Gomes, ativista social e de favela há 28 anos, educadora popular com atuação voltada à defesa de mulheres em situação de vulnerabilidade e ao fortalecimento da autonomia feminina; Eldom Stevem Barbosa dos Santos, juiz de Direito da Comarca de Paraíso do Norte, integrante da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID/TJPR), além de vice-presidente do XV FONAVID e do V FOVID-PR e, por fim, Silvana Mariano, socióloga e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), porta-voz de Néias e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre Feminicídios (LESFEM) e do Monitor de Feminicídios no Brasil.
O encontro parte da premissa de que o feminicídio não se inicia no ato extremo, mas em contextos marcados pelo silêncio, pela omissão e pela naturalização de diferentes formas de violência contra as mulheres. A proposta é qualificar esse debate reunindo perspectivas da promotoria e da magistratura, do ativismo de base e da pesquisa acadêmica, reunindo campos que nem sempre dialogam entre si para trazer uma visão mais plural sobre esse problema que se tornou alarmante no Brasil.
“Néias chega aos 5 anos de atuação em meio a uma chamada epidemia de feminicídios. Conseguimos dar visibilidade ao tema e levá-lo a diferentes espaços, mas entendemos que é preciso debater com profundidade a responsabilidade de cada pessoa, órgão e instituição no enfrentamento a esse problema que é estrutural e perpassa toda a sociedade. Se a questão é estrutural, a resposta também precisa ser”, afirma Martha Ramírez-Gálvez, presidenta do Néias.
Em memória de Néia
O Observatório foi criado em 2021, em Londrina, a partir de um caso concreto, o de Cidneia Aparecida Mariano da Costa, a Néia, mulher de 33 anos e mãe que sofreu uma tentativa de feminicídio em 2019 e passou a viver com sequelas neurológicas, motoras e cognitivas decorrentes da violência.
Néia nunca recuperou a fala e morreu dois anos após o crime, em consequência das agressões. O observatório foi criado para dar visibilidade a esse e a outros casos que seguem invisíveis, com foco na produção de dados, no acompanhamento de processos, no controle social e no fortalecimento da rede de proteção às mulheres em Londrina.
Serviço – Roda de conversa: Feminicídio: o que eu tenho a ver com isso?
Data: 5 de maio de 2026
Horário: 19h
Local: Sesc Cadeião — Rua Sergipe, 52, Londrina (PR)
Entrada gratuita