Especialista alerta para falhas no IR pré-preenchido e risco de cair na malha fina


Faltando menos de 25 dias para o fim do prazo de entrega do Imposto de Renda 2026, contribuintes que optaram pela declaração pré-preenchida precisam redobrar a atenção. O modelo, criado para facilitar o preenchimento, vem apresentando falhas que já levaram mais de 257 mil pessoas à malha fina até abril deste ano.

Os erros estão relacionados, principalmente, à mudança no sistema de envio de informações após o fim da DIRF. Na prática, dados que antes eram consolidados por empresas passaram a ser distribuídos por diferentes bases, o que tem gerado inconsistências.

Segundo o contador Jorge Henrique Paiva, do escritório Ipiranga, o problema não está na ferramenta em si, mas na origem das informações. “A declaração pré-preenchida depende de dados enviados por bancos, empresas, planos de saúde e outras instituições. Com a mudança no modelo de entrega dessas informações, houve falhas na integração. Isso tem causado duplicidade de rendimentos, valores divergentes e até ausência de dados importantes”, explica.

Entre os principais erros identificados estão rendimentos lançados duas vezes, ausência de descontos como plano de saúde, além de valores que não batem com os informes entregues pelas empresas.
“O contribuinte abre a declaração e acredita que está tudo certo, porque já está preenchido. Esse é o maior risco. Muitas vezes a pessoa simplesmente confirma e envia, sem conferir. E aí o erro vai direto para a Receita”, alerta.

Outro ponto que vem gerando problemas é o acesso ao sistema. Muitos usuários relatam dificuldades de login pela conta GOV.BR, o que também tem atrasado o envio das declarações. Para o especialista, esse cenário reforça um alerta importante: não deixar para a última hora. “Quando o contribuinte deixa para os últimos dias, ele perde tempo de reação. Se identificar um erro, não consegue corrigir com calma. E neste ano, com essas falhas sendo registradas, a chance de precisar retificar aumentou bastante”, afirma.

A recomendação é que todas as informações da declaração pré-preenchida sejam comparadas com os documentos oficiais. “É fundamental pegar o informe de rendimentos do empregador, os dados bancários, recibos médicos e conferir item por item. A pré-preenchida é um ponto de partida, não um documento pronto”, reforça Jorge Henrique Paiva.

Caso o contribuinte já tenha enviado a declaração com erro, ainda é possível corrigir. “A retificação pode ser feita a qualquer momento, mas o ideal é evitar esse retrabalho. Quem envia com antecedência consegue revisar com mais tranquilidade e reduzir o risco de cair na malha fina”, completa.
Dados da Receita Federal mostram que, até o fim de abril, o Paraná já havia ultrapassado a marca de 1 milhão de declarações entregues. Em Londrina, no entanto, o ritmo ainda está abaixo do esperado: apenas cerca de 30% dos contribuintes haviam enviado os documentos.

Além de evitar problemas com o Fisco, antecipar a entrega também pode garantir vantagem financeira.
“Quem entrega antes, sem erros, tem mais chances de receber a restituição nos primeiros lotes. Quem deixa para depois, além do risco de erro, pode acabar ficando no fim da fila”, finaliza o especialista.