Golpes digitais crescem no país com mecanismos cada vez mais sofisticados

A boa notícia é que, com atenção redobrada e o modo “desconfiança” ativado, é possível se prevenir

Quem não tem medo de cair num golpe digital? As formas de abordagem estão tão sofisticadas com o avanço tecnológico que hoje a grande maioria das pessoas está sujeita a esses percalços. Dados oficiais mostram o tamanho do problema.

Segundo levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Paraná se consolidou no grupo de estados com maior incidência de crimes cibernéticos (atrás de São Paulo e Distrito Federal), devido ao elevado nível de digitalização e bancarização da população, o que atrai quadrilhas organizadas. Foram 11,5 mil fraudes eletrônicas diretas registradas em 2025 — embora haja subnotificação, já que nem todas as vítimas fazem o registro policial. O Paraná foi o estado do Sul do país em que esse tipo de crime mais cresceu, com cerca de 30% de novos registros ante 2024.

Regra de ouro

Mas como se prevenir? A regra de ouro é: desconfie sempre, confirme a informação, não se precipite, deixando-se levar pela urgência que os golpistas impõem a cada ligação. Esse é o alerta do gerente de Riscos e Controles Internos da cooperativa de crédito Sicredi Dexis, Osvaldir Aparecido de Oliveira Junior.

A cooperativa também faz sua parte, combinando tecnologia, monitoramento, controles transacionais, educação dos associados, capacitação de colaboradores, tratamento de ocorrências e campanhas contínuas de conscientização na prevenção de golpes.

O gerente informa que a Sicredi Dexis possui três mecanismos relevantes de proteção ao associado:

●    alerta ao enviar Pix, quando a chave possui denúncia de outra instituição;

●    bloqueio do aplicativo durante ligação ativa, com mensagem de alerta sobre ligações falsas;

●    Origem Verificada, que autentica informações do telefone de origem para exibir dados confiáveis ao destinatário.

Segundo ele, os golpes atuais são majoritariamente baseados em engenharia social, explorando urgência, medo, confiança e promessas de vantagem. “A mitigação depende de três comportamentos centrais: desconfiar de contatos inesperados, validar tudo por canais oficiais e nunca compartilhar senhas, códigos, tokens ou instalar aplicativos indicados por terceiros”, destaca.

Veja os principais golpes e as orientações da cooperativa Sicredi Dexis para se prevenir:

1. Golpes com Inteligência Artificial / Deepfake

Como acontece: Criminosos usam IA para criar mensagens, áudios, vídeos ou imagens falsas, imitando pessoas reais e tornando o golpe mais convincente.

O que fazer: Confirmar identidade por outro canal, desconfiar de urgência, não transferir valores apenas com base em áudio/vídeo/mensagem e validar pedidos sensíveis com contato direto.

Como a cooperativa previne: Atua com conscientização, comunicação preventiva e cultura de segurança.

2. Falsa Central de Atendimento

Como acontece: Golpistas se passam por funcionários de instituições financeiras, usam logos/fotos reais, alegam transações suspeitas, enviam falso 0800, link ou migram a conversa para WhatsApp.

O que fazer: Encerrar o contato, não informar senha/código, não clicar em links e procurar canais oficiais, gerente ou central oficial. O Sicredi informa que não solicita dados de associados por ligações ou mensagens.

Como a cooperativa previne: Não solicitamos procedimentos de segurança no aplicativo nem enviamos e-mails pedindo clique em links ou atualização do app.

3. Golpe da Mão Fantasma

Como acontece: Criminosos dizem que a conta foi comprometida e induzem a vítima a instalar aplicativo de acesso remoto; depois controlam o celular/dispositivo e realizam transações.

O que fazer: Nunca instalar aplicativos indicados por terceiros, baixar apps apenas em lojas oficiais, manter antivírus atualizado e interromper o contato ao perceber pressão ou urgência.

Como a cooperativa previne: O aplicativo fica indisponível durante chamadas telefônicas como medida de proteção; internamente, há ações de acesso seguro nos canais digitais com camada adicional de validação por dispositivo de segurança.

4. Invasão de WhatsApp / Redes Sociais

Como acontece: A vítima acha que fala com conhecido, mas a conta foi invadida ou clonada; o fraudador pede dinheiro com urgência usando foto/nome de pessoa real.

O que fazer: Fazer videochamada ou confirmar por outro canal antes de transferir; ativar autenticação em duas etapas e não compartilhar códigos.

Como a cooperativa previne: A prevenção ocorre por campanhas educativas, orientação aos associados e reforço de segurança digital — autenticação em dois fatores, atualização de aplicativos e canais de apoio ao associado como mensagens de prevenção.

5. Golpe do Falso Empréstimo

Como acontece: Falso funcionário informa aprovação de empréstimo facilitado, geralmente com taxas muito baixas, e pode solicitar pagamento antecipado, dados ou confirmação por canal falso.

O que fazer: Desconfiar de oferta muito vantajosa, não pagar taxa antecipada e confirmar qualquer oferta diretamente nos canais oficiais ou com o gerente.

Como a cooperativa previne: Orientamos o associado a utilizar canais oficiais em caso de dúvida; a página de segurança reforça que contatos suspeitos devem ser tratados com desconfiança.

6. Golpe da Falsa Maquininha

Como acontece: Envolve máquinas de cartão usadas para roubar dados ou valores, como clonagem de cartão, cobrança adulterada ou compra duplicada.

O que fazer: Conferir valor na tela, acompanhar a transação, não entregar o cartão fora da visão, ativar notificações e contestar movimentações suspeitas rapidamente.

Como a cooperativa previne: A prevenção sistêmica inclui monitoramento de transações, tratamento de ocorrências de fraude e ações para proteger dados e transações.

7. Golpe do Boleto / Boleto Falso

Como acontece: A vítima recebe boleto com aparência legítima, dados de empresas conhecidas ou código adulterado, podendo pagar o fraudador acreditando estar quitando dívida real.

O que fazer:Conferir banco beneficiário, nome/CNPJ do beneficiário, dados do pagador, valor e origem do boleto; gerar segunda via apenas em site ou canal oficial.

Como a cooperativa previne: A Cooperativa atua com orientação preventiva em agências e canais oficiais.

8. Pirâmide Financeira / Investimento Irreal

Como acontece: Promete rendimento certo, alto e rápido; pode aparecer como Pix de volta, plataforma de criptomoedas, app de tarefas ou renda extra.

O que fazer: Desconfiar de dinheiro fácil, promessa de retorno garantido e pressão para indicar outras pessoas; validar instituição, produto e risco antes de aportar recursos.

Como a cooperativa previne: Reforçamos a educação e conscientização como primeira linha de defesa; a certificação de prevenção a fraudes cita processos eficientes para prevenir fraudes e conscientizar associados sobre riscos.

9. Falsa Venda de Veículo / Falsa Venda Online

Como acontece: A vítima encontra anúncio atrativo, faz contato com suposto vendedor e é direcionada a pagar alguém que não é o proprietário; em falsas vendas, ofertas muito baixas levam a sites/páginas falsas ou pagamento sem entrega.

O que fazer: Pagar somente ao proprietário real, verificar documentação, desconfiar de preço muito baixo e evitar pagamentos fora de plataforma/canal seguro.

Como a cooperativa: A prevenção ocorre por orientação permanente aos associados, campanhas de conscientização e canais oficiais para dúvidas; a página de segurança recomenda procurar o gerente em caso de dúvida se é golpe.

10. Golpe do Falso Advogado

Como acontece: Criminosos se passam por advogados e dizem que há valores a receber, como indenizações ou decisões judiciais, exigindo pagamento imediato via Pix ou boleto.

O que fazer: Confirmar diretamente com o advogado/escritório por canal já conhecido, verificar processo em fonte oficial e nunca pagar custas ou taxas sob pressão.

Como a cooperativa previne: A Cooperativa atua com orientação de canais oficiais, suporte ao associado e tratamento de ocorrências; materiais internos citam canal de denúncias/suporte ao associado e campanhas educativas.