A chegada da Shopee a Londrina começou oficialmente a sair do papel nesta quarta-feira (27), com o lançamento da pedra fundamental do futuro centro de distribuição da companhia na região do Perobinha, na Zona Norte da cidade. O empreendimento, que receberá investimento privado, coloca Londrina entre os principais polos logísticos do Sul do país em meio à expansão acelerada do comércio eletrônico no interior brasileiro.
As obras começam em uma área de 100 mil m², com 33 mil m² quadrados de área construída coberta. O projeto será desenvolvido no modelo Built to Suit, construído sob medida para a operação da empresa, e seguirá o padrão Triple A, classificação internacional destinada a empreendimentos de alta performance logística, eficiência operacional, tecnologia e sustentabilidade.
A expectativa é de geração de cerca de 2 mil empregos diretos, além de centenas de vagas indiretas ligadas aos setores de transporte, manutenção, alimentação, tecnologia e serviços de apoio.
A definição de Londrina como sede da operação ocorreu após estudos técnicos conduzidos pela UrbaniX Group, especializada em inteligência territorial e análise geoespacial. Segundo Guto Trindade, CEO da empresa, a análise envolveu dados estratégicos relacionados à infraestrutura urbana e logística da região.
“Temos acesso a dados como entrada e saída de energia, recursos hídricos e infraestrutura rodoviária. Trabalhamos com isócronas, que analisam os sistemas viários reais e o tempo de deslocamento. Com isso, conseguimos comprovar de forma precisa a eficiência logística da região”, explicou.
De acordo com o executivo, o processo de avaliação territorial, negociação de áreas e validação técnica do solo durou mais de um ano até a consolidação do projeto. Para Rafael Selva, diretor executivo da RET Real Estate Transactions, consultoria responsável pelo desenvolvimento do centro de logística, Londrina se encaixa em uma estratégia nacional de expansão das operações logísticas para cidades consideradas polos regionais fora das capitais.
“Londrina, naturalmente, é uma cidade de destaque no interior do Paraná e estamos sempre buscando centralidades que tenham visibilidade, estrutura e população relevante. Londrina se encaixou perfeitamente nesse processo. Isso faz parte da expansão logística da rede em nível nacional”, afirmou.
Segundo Selva, a escolha da área onde o empreendimento será instalado passou por uma análise técnica detalhada envolvendo infraestrutura, acessibilidade e vocação logística da região.
“Esse espaço passou por um crivo técnico baseado em estrutura, acessibilidade e vizinhança. Naturalmente, aqui já existe um cluster logístico-industrial adequado para esse tipo de operação, principalmente pelo fluxo de caminhões e carretas da região”, destacou.
O executivo afirmou ainda que o investimento total previsto para implantação da estrutura gira em torno de R$ 130 milhões, considerando aquisição do terreno, obras e desenvolvimento completo da operação.
A movimentação também é vista pelo setor produtivo como um divisor de águas para o ambiente econômico local. “Estamos vivendo um movimento real de transformação e essa pedra fundamental é o pontapé inicial”, afirmou Vera Antunes, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL).
O prefeito Tiago Amaral destacou que a escolha de Londrina antecipa uma tendência do mercado logístico nacional, que começa a descentralizar operações antes concentradas exclusivamente em capitais e regiões metropolitanas. “O que estamos fazendo aqui é transformar Londrina numa cidade absolutamente estratégica. Normalmente, um galpão com esse perfil e tamanho vai para capitais ou cidades de 2 milhões a 3 milhões de habitantes. Ter Londrina escolhida nos dá uma vantagem de mercado muito grande”, afirmou.
Com o início das obras na Rua Luísa Del Bianco Simoneto, a expectativa do setor empresarial e do poder público é de que o empreendimento acelere novos investimentos privados no entorno da operação e fortaleça a posição de Londrina dentro da cadeia logística do e-commerce nacional.