Operações organizadas para identificar o problema e criar a solução ainda no chão de fábrica chamam a atenção de missão técnica organizada pela Insight Energy aos EUA
A experiência em um dos maiores polos globais de tecnologia e inovação reacendeu um debate estratégico para o Brasil: como transformar potencial em protagonismo na transição energética. Após uma imersão no Vale do Silício e visitas a complexos industriais na Ásia, o CEO da Insight Energy, Sérgio Fagundes, voltou com uma visão clara: o país reúne condições únicas, mas precisa avançar em qualificação e cultura técnica para dar o próximo salto.
“É impressionante ver o tamanho das fábricas voltadas para inovação, pesquisa e desenvolvimento. Existe um ecossistema inteiro funcionando de forma integrada, com foco em eficiência e melhoria contínua de processos”, relatou. Segundo Sérgio, mais do que tecnologia de ponta, o que chama atenção é a disciplina operacional e o rigor no controle de qualidade.
Inovações
Durante a missão, Sérgio conheceu de perto fábricas de baterias voltadas ao armazenamento de energia gerada por fontes renováveis e também linhas de montagem de veículos elétricos. Um dos principais aprendizados está no papel estratégico dessas baterias para equilibrar a geração energética. “No momento de pico de geração solar ou eólica, você armazena. Quando não há sol ou vento suficiente, essa energia é utilizada. Isso traz estabilidade ao sistema”, explicou.
No contexto brasileiro, esse modelo poderia resolver um problema recorrente. “Hoje, em determinados momentos, geramos tanta energia que precisamos desligar hidrelétricas. A energia gerada por fontes hídricas abrange 44,3% do total. A segunda maior é a solar através de painéis fotovoltaicos (22,5%) e a eólica em terceiro (13,4%). Nas hidrelétricas, os equipamentos são projetados para operar continuamente, mas acabam funcionando de forma intermitente, o que pode causar desgaste. Com o uso de baterias, seria possível armazenar esse excedente e otimizar o sistema”, afirmou.
No Brasil está previsto para 2026 (ainda sem mês definido) o primeiro megaleilão de baterias para serem utilizadas no sistema de distribuição de energia, mas o tema ainda depende da definição das regras para esses sistemas de armazenamento.
Fator humano
Outro ponto que marcou a experiência da missão organizada por Sérgio Fagundes nos Estados Unidos foi o papel do fator humano dentro das fábricas. Ao contrário da ideia de ambientes altamente automatizados, ele observou forte presença de mão de obra qualificada. “Há muita gente trabalhando, homens e mulheres em igualdade, com tarefas bem definidas. O diferencial está na organização, no uso de ferramentas simples como códigos de barras e testes em cada etapa. O erro é tratado na origem, não é escalado”, destacou.
Para ele, esse modelo reforça uma mensagem central: a produtividade não depende apenas de máquinas sofisticadas. “O ser humano, bem assessorado e com as ferramentas certas, produz muito bem. Todo mundo é capaz. O que existe é treinamento, disciplina e valorização de cada etapa do processo”, avalia.
A viagem também trouxe reflexões sobre competitividade industrial. “O que diferencia um equipamento produzido em diferentes países muitas vezes é o custo. E o custo está diretamente ligado à eficiência. Se quisermos competir, precisamos produzir mais com menos, sem desperdício”, opina Fagundes.
Potencial
No setor energético, o Brasil parte de uma posição privilegiada, com forte base hidrelétrica e crescente participação de fontes solares e eólicas. No entanto, a integração dessas fontes ainda é um desafio. “Temos um tesouro nas mãos. Mas precisamos somar tecnologias, como o armazenamento em baterias, para garantir energia firme. Todas as fontes são variáveis — o sol muda, o vento muda, a água também. A estabilidade vem da combinação inteligente entre elas”, observa o CEO da Insight Energy.
Apesar dos avanços regulatórios, ele ressalta que a transformação mais profunda passa pela educação. “Nosso maior potencial ainda não está sendo plenamente aproveitado porque falta qualificação. Não adianta ter recurso se não temos conhecimento para utilizá-lo. Precisamos investir em formação técnica, em escolas profissionalizantes, em treinamento contínuo.”
Fagundes defende ainda uma mudança cultural que valorize o aprendizado e a excelência no trabalho. “A base é formar bons eletricistas, soldadores, pintores, técnicos. Pessoas que entendam o processo e façam bem feito. O crescimento profissional vem daí. Sem isso, não há inovação sustentável.”
Orquestra
A analogia usada por ele resume bem a experiência vivida nas fábricas visitadas. “É como uma orquestra. Cada pessoa executa sua função no tempo certo, com precisão. O resultado é harmonioso. E isso não acontece por acaso, pois é fruto de método, treinamento e dedicação”, diz Sergio Fagundes.
Para o executivo, a missão internacional funcionou como um impulso de perspectiva. “É como tomar uma dose de energia e perceber que temos muitas oportunidades. O Brasil tem potencial. O que precisamos agora é transformar esse potencial em realidade, com educação, tecnologia e organização”, finaliza.
Insight Energy – Com sede em Londrina, a Insight Energy caminha para completar 16 anos de atividades em 2026. A empresa conta com mais de 300 colaboradores, entre eles cerca de 50 engenheiros, e atende mais de 500 clientes em todo o país. Além de atuar na modernização de usinas, é fabricante de geradores, realiza manutenção de turbinas hidráulicas e desenvolve soluções completas em engenharia mecânica para o setor energético.