Início Cidade e Região Mutirão de saúde auditiva beneficia mais de 100 pacientes

Mutirão de saúde auditiva beneficia mais de 100 pacientes

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A Prefeitura de Londrina lançou, na manhã desta segunda-feira (26), a segunda etapa do mutirão de saúde auditiva. O prefeito Marcelo Belinati acompanhou a entrega de cem aparelhos auditivos, referentes ao primeiro lote desta nova fase da campanha. O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, também participou da entrega, realizada no Instituto Londrinense de Educação de Surdos (ILES), entidade credenciada ao Município.

Marcelo lembrou que a Prefeitura tem realizado vários mutirões na Saúde. “E esse é para fornecer os aparelhos para pessoas com deficiência auditiva, e que estavam na fila, aguardando há muitos anos. Na primeira etapa, de julho de 2018 até este ano, atendemos mais de 1.500 pessoas, fornecendo os aparelhos, e agora iniciamos a segunda fase”, citou.

O prefeito ressaltou que os pacientes beneficiados pelo mutirão de saúde auditiva não possuem condições financeiras de arcar com o tratamento na rede particular. “É um custo alto, em torno de três a cinco mil reais, e as pessoas muitas vezes não têm como adquirir o aparelho. Esse programa busca amenizar ou até mesmo acabar com as filas da Saúde em Londrina. Temos convênio com o ILES, que está completando 60 anos em Londrina, e que tem todos os profissionais capacitados e qualificados. Eles fazem a triagem dos pacientes, com vários exames que indicam precisamente a pessoa que vai receber o aparelho. É um trabalho em conjunto, com equipe multidisciplinar, e o mutirão conta com parceria com o ILES, que faz a compra e a entrega do aparelho, dá orientação e faz o acompanhamento desses pacientes”, enfatizou.

De acordo com o secretário municipal de Saúde, os aportes feitos pelo Município neste segundo mutirão de saúde auditiva chegam a R$720 mil, em recursos próprios, e abrangem todo o processo, que inclui consultas com especialistas, aquisição da prótese auditiva, exames como audiometria e BERA, entre outros procedimentos. “Na segunda etapa, estão previstos para entrega aproximadamente mil aparelhos. Firmamos um compromisso com o ILES ao passo em que, quando eles atingirem essa meta, se ainda permanecer a necessidade do mutirão, o prefeito autorizou mantermos o repasse de recursos, para a instituição zerar a fila de espera”, contou.

Machado acrescentou que o primeiro mutirão de saúde auditiva, iniciado em meados de 2018, registrou 2.746 procedimentos. “Na primeira fase, tínhamos casos de pessoas que aguardavam há cinco, seis anos pela prótese. Essa etapa inicial foi um sucesso, motivo pelo qual o prefeito decidiu pela continuidade. Com esse novo mutirão, vamos conseguir reduzir a fila de espera para o período do processo em si, ou seja, até o paciente ser encaminhado ao ILES, fazer todos os exames de diagnóstico e seleção, e receber a prótese mais apropriada. E são fornecidos aparelhos de tecnologia digital, com o que há de mais moderno no mercado, justamente para que essas pessoas tenham qualidade de vida”, frisou.

Para a fundadora e presidente do ILES, Rosalina Lopes Franciscon, é motivo de muita alegria ver tantos pacientes receberem seu próprio aparelho auditivo. “São pessoas que aguardavam por isso há anos. E nós ficávamos preocupados, por saber que a pessoa poderia ter uma vida melhor, mas faltava o aparelho. Então esse mutirão está sendo maravilhoso. Por mês, aqui no ILES, são cerca de 89 pessoas do município atendidas com as próteses auditivas. E o mutirão vai até o próximo ano, dobrando o número de pacientes beneficiados em cada mês. A fila dificilmente zera, pois a cada dia entram novos pacientes, mas é uma medida que com certeza reduz drasticamente o tempo de espera”, detalhou.

Nova história

Entre os cem pacientes agendados para o primeiro lote de entrega das próteses, estavam Ingrid Silva dos Santos, com o filho João Lucas, de 4 anos. Moradores do Jardim Ideal, Ingrid estava com grandes expectativas, já que há dois anos João Lucas foi diagnosticado com perda auditiva moderada bilateral, e aguardava desde então a chegada do aparelho auditivo. “Quando ele começou a ir na creche, notaram essa dificuldade dele para responder, interagir, e os professores pediram para levá-lo ao médico. Do posto de saúde do bairro nos encaminharam para o especialista, e na época já começamos o tratamento aqui no ILES. Estou apreensiva com a adaptação dele com o aparelho, porque é algo muito caro e eu não tenho como comprar. Mas para a vida dele vai ser ótimo. Ele não conversa muito, já que as pessoas não entendem o modo dele de falar, e com o aparelho ele vai conseguir falar melhor, poder brincar. Com certeza é algo que vai fazer a diferença na vida dele, pra melhor”, comemorou a mãe.

A fonoaudióloga do ILES, Tatiane Nery, explicou que todos os pacientes que receberam as próteses auditivas já passaram pelos exames e avaliações necessárias. “Fizemos uma seleção prévia e, dependendo do resultado dos exames, pode ser feito um molde personalizado. Hoje entregamos os aparelhos com um ajuste de volume baixo, para adaptação, e os pacientes já saem daqui com o retorno agendado. Até lá, eles estarão acostumados a utilizar a prótese, e o ganho da audição será progressivo”, contou.

Tatiane destacou que a recuperação da audição propicia aos idosos a reintegração no convívio com a sociedade, e até mesmo a aceitação dos familiares. “Muitos estão depressivos, e há famílias que já não têm mais paciência com esse familiar que não escuta. Para os idosos, o ganho principal é na reabilitação social, enquanto os adultos têm a questão laborativa. Muitos se queixam da falta de emprego dificultada por não conseguirem ouvir, e é com o aparelho que essas pessoas são reinseridas no mercado de trabalho. Já o público infantil é o nosso diamante, que atendemos desde muito cedo, desde bebês. O uso precoce do aparelho traz para a criança tudo o que ela precisa para desenvolver sua linguagem, sua escolaridade, e isso para nós é o mais importante”, explicou.

Etapas do mutirão 

O mutirão de saúde auditiva realizado pela Prefeitura de Londrina abrange desde a consulta do paciente com especialistas, mediante o encaminhamento feito pelos profissionais da Atenção Básica, passa pela realização de exames e avaliações, como a audiometria e o BERA, que diagnosticam se há perda auditiva, em que grau, dentre outras informações necessárias para o diagnóstico.

Para a confirmação da necessidade de o paciente utilizar uma prótese auditiva, há o envolvimento de uma equipe multiprofissional, composta principalmente por otorrinos, fonoaudiólogos, assistente social e psicólogo. Assim que essa confirmação é feita, a Secretaria Municipal de Saúde avalia, caso a caso, qual a prioridade que o atendimento deve obter, mediante critérios como idade, condição de saúde, se o paciente possui ou não outras deficiências, entre outros itens.

No caso de crianças, o diagnóstico da surdez pode ocorrer nas avaliações neonatais, como o teste da orelhinha, e quanto antes seja confirmada a condição, mais rápida é a intervenção e melhor o prognóstico.

(Com informações do N.Com/PML)

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